Técnicos da Defesa Civil, IAT e Amep vão a campo avaliar condições geológicas na RMC 02/04/2025 - 17:46

Ao longo desta terça-feira (01) técnicos da Defesa Civil, do Instituto Água e Terra (IAT) e da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) visitaram a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) para conhecer em campo as formações geológicas que possam oferecer risco os moradores. Eles estiveram em cinco pontos dos municípios de Campina Grande do Sul e Rio Banco do Sul, visitaram áreas de encosta suscetíveis a deslizamentos e erosão, bem como locais com afundamentos cársticos (buracos que surgem naturalmente no solo) tanto em área urbana como na área rural. Na ocasião uma turma cadetes do Corpo de Bombeiros também acompanhou o grupo para compreender na prática as condições da região.
Segundo o geólogo do IAT, Dioclécio Falcari, a RMC é formada por uma grande extensão de rochas calcárias, onde podem ocorrer os afundamentos cársticos, e por áreas com solo conhecido como Argila Guabirotuba. Essa argila é altamente erosiva e expansiva, e também suscetível a deslizamento em declividades acima de 20%. Essa condição torna essencial a necessidade de avalições criteriosas antes da execução obras de engenharia, como a abertura de um loteamento, por exemplo, “Precisamos dar uma atenção especial para essas áreas porque há ocorrência desde os municípios de Campo Magro, Almirante Tamandaré, Colombo, Rio Branco do Sul e regiões vizinhas”, completa.
O mapeamento destas formações, visando a segurança da população, é compartilhado com a Defesa Civil Estadual e Municipal, que são as estruturas que vistoriam as áreas quando há risco de desastres. Esse grande conjunto de rochas calcárias é denominado carste (ou karst) e pode se desmanchar no nível subterrâneo criando grandes bolsões de ar. De acordo com geólogo da Defesa Civil, Rogério Felipe, estes vazios são preenchidos por água, tornando o carste um excelente aquífero subterrâneo, mas por vezes desencadeiam o afundamento do solo, como foi observado numa propriedade na área rural de Rio Branco do Sul.
“A ação humana, através da extração de pedras calcárias, a utilização da água do lençol freático e abertura de ruas, por exemplo, pode acelerar o processo. Temos que fazer um estudo detalhado sobre essas áreas para que não haja mais problemas”, destaca Rogério.
Crescimento urbano – a Amep conta com a assessoria técnica do IAT em relação ao planejamento urbano através dos mapeamentos de áreas de risco, com os quais são realizadas as atualizações dos planos diretores, como destaca o arquiteto da Amep, Theo Zanardo.
“O conhecimento sobre esses riscos nos ajuda a fundamentar uma ocupação segura para a população. Viemos conhecer melhor esses indícios, justamente para a gente ter mapeados esses locais e poder orientar os municípios”, avalia.
Compartilhamento – a ação com o envolvimento dos profissionais das diferentes instituições é importante para que ações e regulamentações possam ser estabelecidas a partir do conhecimento compartilhada, levando em consideração os riscos e as medidas que são necessárias para garantir a segurança da população. Dessa maneira, as instituições podem garantir uma abordagem mais técnica e informada aos riscos comuns na região.